Alguns líderes de bancadas e partidários sinalizaram ao governo que atuarão pela manutenção do veto de Lula ao calendário de pagamento de emendas parlamentares.
O motivo tem menos a ver com apoio ao Palácio do Planalto e mais com uma possível perda de poder nas negociações com ministros e a articulação política.
Isso porque, na maioria das vezes, são os líderes (partidários e de bancadas) que são chamados pelo governo para a discussão da liberação dos recursos. Se o calendário de pagamento das emendas fosse mantido na LDO, deputados e senadores não precisariam recorrer às lideranças.
Por outro lado, o ano de eleições municipais preocupa parlamentares que querem eleger aliados. Sem um maior domínio sobre o orçamento, eles buscam garantir recursos sem depender da boa vontade do governo.
Há o receio de que o governo privilegie alguns aliados na liberação de emendas e deixe de lado até parlamentares da base que, nas eleições municipais, são adversários do PT.
O movimento dos parlamentares coloca em risco outros vetos de Lula na LDO, como os trechos que tratam do Minha Casa Minha Vida e do Fundeb (Fundo Nacional da Educação Básica), que podem ser derrubados na volta do recesso do Congresso. Segundo o relator, Danilo Forte (União Brasil-CE), havia um acerto com o governo sobre a manutenção de ambos.

