Governadores bolsonaristas que faltam à solenidade do 8 de janeiro, em Brasília, nesta segunda-feira, cometem um erro político básico. Ao confundir um evento de Estado em defesa da democracia com um ato partidário, deixam de aproveitar uma oportunidade única para todo político.
No plano mais básico, os governadores deixam o presidente Lula brilhar sozinho em um momento que terá toda a atenção do país. Não se falará em outra coisa num dia de início de janeiro sem noticiário político forte. Uma chance dessas de aparecer ao público não deveria ser jogada fora por questão partidária. Lula será o protagonista e os faltosos serão lembrados por isso.
A pesquisa Genial/Quaest, publicada no domingo, mostra que 89% brasileiros – sejam eles de esquerda, direita, petistas ou bolsonaristas – desaprovavam o que golpistas fizeram no 8 de janeiro. Mesmo entre os bolsonaristas, 85% desaprovam o que radicais fizeram em Brasília, ao depredar prédios símbolos da democracia.
Conclusão óbvia: não existe apoio para quem defende a barbárie que foi perpetrada em Brasília há um ano. Achar que é melhor ser visto assim do que “aparecer do lado do Lula” é raciocínio para quem acha que quebrar o plenário do Supremo leva a algo que não seja a cadeia.
O evento de hoje é uma forma de defesa perene da democracia. Defender a liberdade é o básico para qualquer político que foi eleito pelo voto, como é o caso de todos no Brasil.
Perder a chance de aparecer ao seu eleitorado dando uma mensagem de defesa da democracia e condenação da selvageria primitiva praticada por criminosos no ano passado é um erro que vai custar caro. É abrir uma brecha ruim no currículo, que pode custar votos à frente, a depender da esperteza do adversário em 2026.
Por fim, no plano prático, governadores que deixam de ir ao evento mostram ao governo que não estão dispostos a negociar. Isso não é bom na vida prática, afinal todo governador precisa de Brasília de bom relacionamento com Brasília.

