Em meio às tensões regionais provocadas pela Venezuela contra a Guiana, o aumento da violência no Equador e no Peru e a dificuldade de se manter o controle das fronteiras diante do aumento do narcotráfico e da exploração ilegal de minérios, o governo brasileiro segue adiante com a política de reduzir gradativamente o tamanho do Exército.

Um levantamento feito pelo Bastidor, com base em decretos presidenciais desde 2015, mostra que o efetivo do Exército perdeu 16.527 homens nesse período. O último ato desse encolhimento lento e silencioso se deu na quinta-feira (18), por ordem de Luiz Inácio Lula da Silva, ao determinar o número de militares na ativa em tempos de paz para o ano de 2024.

Em novembro de 2015, meses antes de sair do cargo, Dilma Rousseff havia determinado que o Exército teria, ao todo, 228.474 homens na ativa. Esse número é a somatória de todos os postos, desde soldados até generais. Naquele ano, o país contava com:

  • 152 generais;
  • 29.866 oficiais de carreira;
  • 8.835 oficiais temporários;
  • 51.096 subtenentes e sargentos;
  • 138.525 cabos e soldados.

Desde então, os números foram caindo ano a ano, salvo no começo do governo de Jair Bolsonaro, quando o então presidente chegou a aumentar levemente o número de militares na ativa. Em maio de 2020, ele determinou que o Exército deveria ter um total de 222.755 pessoas trabalhando, mas esse número caiu, em dezembro do mesmo ano, para 216.200.

A tendência de queda no número de militares no Exército, desde então, permaneceu constante. O decreto de Lula, do dia 18 deste mês, determinou um total de 212.217 homens na ativa.

A queda é silenciosa porque, salvo no período de Bolsonaro, os decretos presidenciais apresentam variações pequenas, de apenas algumas centenas de militares. Assim, só é possível observar o tamanho da redução com clareza quando se observam os dados a longo prazo. Para se ter ideia, o ex-presidente deixou o cargo com um total de 213.217 militares trabalhando no Exército. Lula reduziu o tamanho da força em apenas 1 mil homens.

Embora esse enxugamento do Exército esteja acontecendo, o mesmo não é observado na Marinha e na Aeronáutica. Nas outras duas forças, bem menores do que o Exército, os números de militares na ativa se mantêm relativamente constantes.

Procurado, o Ministério da Defesa não quis se pronunciar. Segundo o Exército, os postos fechado não devem ser recriados no futuro. A instituição informou que, de 2020 até o ano passado, a economia com o fechamento das vagas chegou a 1,3 bilhão de reais.

Ainda de acordo com o Exército, a escolha de quais vagas serão abertas ou fechadas depende da disponibilidade anual dos militares. São levados em conta as promoções e as baixas por morte, demissões e remoções para a reserva.

Nota da redação: esta reportagem foi atualizada no dia 24 de janeiro, às 18h, para incluir o posicionamento do Exército.