A pressão de Lula para emplacar Guido Mantega no comando da Vale já envolve outro ministro além de Alexandre Silveira (Minas e Energia),escolhido pelo presidente para cumprir a missão, caso persista a resistência em aceitar o economista.
Entrou em campo Renan Filho (Transportes), que desde o ano passado trava uma disputa com a Vale pela concessão da Estrada de Ferro Carajás, que foi prorrogada até 2057 na gestão Bolsonaro. O governo Lula quer 20 bilhões de reais da mineradora sob o risco de a renovação do contrato ser cancelada.
O caso pode parar no Tribunal de Contas da União, como ocorreu com a Rumo Logística, concessionária do grupo Cosan de Rubens Ometto, que conseguiu acordos considerados vantajosos com o governo. No caso da Vale, se daria o oposto, com a cobrança de valores classificados pela empresa como exorbitantes para continuar a administrar a ferrovia de 892 quilômetros de extensão, que é principal rota de escoamento do minério de ferro da Serra dos Carajás (PA) até o Porto de Itaqui (MA).
Ainda no ano passado, Lula autorizou a investida contra a Vale já em meio aos rumores de que ele queria Mantega no comando da mineradora, no lugar de Eduardo Bartolomeo.
Na próxima semana, até quarta-feira 31, o conselho de Administração da Vale decidirá se Bartolomeo segue no cargo ou não. O executivo tem contrato até 31 de maio e deve ser comunicado com quatro meses de antecedência se será ou não renovado. Ele já disse que quer continuar à frente da companhia.
Lula deve se antecipar ao conselho e, no início da próxima semana, reunir os membros do governo envolvidos nas tratativas para definir o que fazer com Mantega e com a Vale. Também deve estar no encontro o presidente da Previ (Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil), João Fukunaga, que tem dois assentos no conselho.
Como mostrou o Bastidor, o tom do governo contra a Vale é de ameaça.

