Desde que o ex-presidente Jair Bolsonaro passou a ser acossado pela Justiça, a intensidade do apoio que recebe vem caindo. Mas é significativo o silêncio em torno da última operação da Polícia Federal, que atingiu seu filho mais protegido, o vereador Carlos Bolsonaro.
Políticos bolsonaristas se mexem para atacar o governo, o Supremo Tribunal Federal ou a Polícia Federal quando o alvo é o pai. Isso se chama apoio. No caso de Carlos, há um silêncio incômodo: fora uma defesa genérica feita pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto, quase ninguém quer saber de dar uma palavra pública de apoio ao gestor do gabinete do ódio, que defendeu o pai, mas tanto fez truculentamente para fixar o bolsonarismo.
A situação torna explícito que bolsonaristas defendem Jair Bolsonaro, não seus filhos; Carlos, em especial, não é querido. É conhecido em Brasília pela paranoia, desconfiança de todos e por não querer se relacionar com aliados.
Desta forma, ficou difícil para o pai obter qualquer apoio público em torno de Carlos. A parte delicada é que o filho agora atingido pelas investigações é justamente o que mais intimamente está relacionado à máquina digital que ergueu e sustentou Jair Bolsonaro.
Jair Bolsonaro está inelegível. Se vier a ser preso pelo caso das joias ou da tentativa de golpe de Estado – o caso da Abin paralela é embrionário -, a sobrevivência política de seus filhos será complicada.

