O ex-presidente Jair Bolsonaro tem em Gilberto Kassab um rival na tentativa de levar o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas para o PL. Não é nova a insatisfação de Tarcísio com seu partido, o Republicanos, mas a pressão para que ele busque outra legenda cresceu nas últimas semanas.
Principal conselheiro de Tarcísio hoje, Kassab avalia ser um erro fatal o governador cair nos braços do bolsonarismo. Acredita que Tarcísio viraria refém do ex-presidente, com o risco frequente de ter que administrar crises criadas por Bolsonaro, filhos e aliados implicados em investigações.
Kassab também não vê necessidade em antecipar as discussões sobre 2026. O caminho natural para Tarcísio seria justamente buscar a reeleição e não alçar uma candidatura à presidência.
Esse, inclusive, seria um dos motivos para a não ida dele para o PP. Em agosto do ano passado, como noticiou o Bastidor, a mudança de partido estava muito bem encaminhada. Duas situações pesaram contra: o imbróglio da federação entre PP e União Brasil e uma discussão sobre candidatura à presidência. O senador Ciro Nogueira, que comanda o PP, quer ser vice de Tarcísio.
Nos eventos em que participa com o presidente Lula, como o que ocorreu na sexta-feira (2) e despertou a ira dos bolsonaristas, Tarcísio tem atendido aos pedidos de Kassab. Usa o discurso da boa convivência e da necessidade de pacificação, uma postura impraticável caso fique sob a guarda de Bolsonaro.
A boa relação com Lula é também o desejo do presidente do Republicanos, Marcos Pereira, que quer o apoio do governo federal para comandar a Câmara dos Deputados. Embora publicamente, o parlamentar diga que o Republicanos é independente, o partido conseguiu o ministério de Portos e Aeroportos na gestão petista. Já Kassab tem três pastas para chamar de suas – Agricultura, Minas e Energia e Pesca.

