A saída do PSB do maior bloco da Câmara inicia a articulação do governo para construir uma candidatura alternativa para o comando da Casa. O pedido veio do Palácio do Planalto após o partido do vice Geraldo Alckmin mudar o seu líder: saiu Felipe Carreras, aliado de Arthur Lira (PP), e assumiu Gervásio Maia, alinhado a Lula.

O duro discurso de Lira na abertura do ano legislativo de 2024, na segunda-feira, com recados em tom ameaçador, tem menos a ver com a insatisfação com o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, e mais com a falta de resposta da do Palácio do Planalto à pergunta já feita mais de uma vez pelo presidente da Câmara: o governo caminhará junto com ele na eleição que escolherá o seu sucessor?

Sem resposta, Lira começou a receber sinais da movimentação do governo e do PT para viabilizar um nome que não seja o de Elmar Nascimento (União Brasil), seu candidato. Marcos Pereira, presidente do Republicanos, mantém conversa com a articulação política de Lula desde o ano passado. O assunto já foi discutido mais de uma vez. Outro que busca seu espaço é Antônio Brito (PSD).

Lira e Carreras trabalharam para manter o PSB no bloco que conta com o PP, o União Brasil, o Cidadania, o PSDB, Solidariedade, PDT e Patriota que, até ontem, era formado por 176 deputados. O segundo maior da Câmara une o Republicanos, o MDB, PSD e Podemos com 144 parlamentares. É deste que o governo quer ver surgir o nome do sucessor de Lira.