O advogado José Rodrigo Sade foi o escolhido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para completar a composição do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná. O decreto de nomeação foi assinado na tarde desta quarta-feira, 7.
Em outras circunstâncias, tal decisão seria pouco relevante. No entanto, Sade vai participar do julgamento que pode cassar o mandato do principal algoz de Lula na Lava Jato, o ex-juiz Sergio Moro, hoje senador pelo União Brasil, do Paraná.
Sade chegou ao cargo no TRE-PR com o apoio do grupo Prerrogativas, que inclui uma dezenas de advogados com ligações diretas com o PT e críticos ferozes da Lava Jato. No entanto, Sade já atuou como advogado de Deltan Dallagnol, ex-líder da força-tarefa do Ministério Público Federal.
Mas a proximidade com Dallagnol não chega a ser um impeditivo, já que o processo em que atuou se tratava de um pedido de indenização por danos morais.
Moro será julgado em duas ações TRE-PR. A primeira foi movida pelo PL, partido de Jair Bolsonaro. A legenda alega que o senador usou recursos do Podemos de forma ilegal, para promover uma pré-candidatura à Presidência da República, que não se consolidou. Com isso, obteve vantagem diante dos outros candidatos.
A segunda ação é movida pelo PT, que acusa a campanha do ex-juiz de caixa 2. Ele nega qualquer irregularidade.
De acordo com o Regimento Interno do TRE-PR, julgamentos que podem levar à cassação de mandatos devem ter os votos de todos os desembargadores. Por isso, o atual presidente da corte, Sigurd Roberto Bengtsson, desmarcou a análise do caso, que deveria ocorrer na quinta-feira, 8.
Procurado pelo Bastidor, o TRE-PR informou que ainda não foi comunicado oficialmente sobre a decisão de Lula e disse que, tão logo receba o aviso, marcará a sessão de posse do desembargador e o julgamento de Moro.

