A reação à operação da Polícia Federal que teve como um dos alvos o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi imediata no entorno do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB). Aliados contrários à indicação de um nome do PL para o cargo de vice na campanha pela reeleição reforçaram a necessidade de paralisar as tratativas sobre a composição da chapa.

A aliança com o bolsonarismo em São Paulo é vista por essa ala como um fator pragmático, mas não determinante para vencer a eleição. Por isso, o apoio do ex-presidente é bem-vindo, mas não a aproximação com a consequente indicação do vice.

Bolsonaro escolheu o ex-coronel da Rota Ricardo Mello Araújo, mas a contrariedade entre aliados de Nunes é tamanha, que ele ainda não anunciou oficialmente a formação da chapa. Um dos motivos da demora, como mostrou o Bastidor, tem a ver com o fato de o perfil militar não ser considerado ideal pelo prefeito. Já houve um levantamento de polêmicas em que Mello Araújo se envolveu nos tempos de polícia e quando esteve no comando da Ceagesp.

A operação da PF na quinta-feira (8), que resultou na prisão de Valdemar Costa Neto, presidente do PL, e as suas repercussões colocaram, por ora, um freio nas negociações para a eleição de São Paulo. Os contrários à aliança aproveitarão o período para buscar alternativas mais ao centro para compor com Nunes.

Esses aliados, ao contrário do que sugerem os discursos oficiais de Nunes, estão convencidos de que a disputa terá a polarização nacional como protagonista. Neste caso, a candidatura de Nunes sairia em desvantagem com Bolsonaro ameaçado pela prisão.