As ordens de busca e apreensão contra Jair Bolsonaro e as de prisão contra os ex-assessores reacenderam antigas disputas de poder na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). No fim da manhã, o Conselho Federal da entidade apresentou um pedido para que o ministro Alexandre de Moraes revogue a decisão de impedir a comunicação entre os advogados dos suspeitos.

A manobra, no entanto, não nasceu ao acaso. Na reunião em que tentou assediar os ministros para que encampassem as teses contra as urnas eletrônicas, Bolsonaro afirma que pediria à OAB para subscrever um documento atestando as supostas fragilidades do sistema de votação.

Um dos motivos para ele acreditar nessa possibilidade é o fato de que a entidade é repleta de apoiadores seus. O vice-presidente OAB de São Paulo, Leonardo Sica, é sobrinho de Valdemar da Costa Neto, presidente do PL, partido de Bolsonaro, preso durante a operação Tempus Veritatis por portar uma arma sem registro e uma pepita de ouro sem comprovação de origem.

Por outro lado, a presidente da seccional paulista, Maria Patrícia Vanzolini Figueiredo, faz parte do grupo Prerrogativas, repleto de advogados filiados ao PT ou a outras legendas que apoiam o governo Lula. Na disputa regional, Sica acredita que será o sucessor dela na presidência da entidade.

A principal concentração de bolsonaristas na liderança das seccionais se encontra nos estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Foi nesses locais também onde o ex-presidente mais recebeu votos, em comparação a Lula. Portanto, há muita pressão contra a diretoria do Conselho Federal, já que as últimas gestões em Brasília não apoiaram incondicionalmente Jair Bolsonaro.