A convocação de uma manifestação em São Paulo no dia 25 é mais uma busca por apoio do que uma demonstração de força de Jair Bolsonaro. Resta pouco ao ex-presidente, além de recorrer a seus seguidores em redes sociais. 

Bolsonaro divulgou um vídeo no qual chama um ato na avenida Paulista, no qual diz que vai responder às acusações que sofre. Como se sabe, Bolsonaro está encurralado: é investigado por roubar joias da Presidência, por ter usado a Abin para defender a si e aos filhos e por armar um golpe de Estado. Os três casos devem leva-lo à cadeia.

Como está inelegível e sem futuro eleitoral, Bolsonaro deixou de receber apoio no meio político. É constrangedor o silêncio de parlamentares bolsonaristas diante das últimas operações da Polícia Federal contra ele e o filho Carlos.

O político que mais o defendia – ainda assim de forma discreta – era Valdemar Costa Neto, presidente do seu partido, o PL. Mas Valdemar foi preso na operação Tempus Veritatis e, por isso, deve ser mais cuidadoso daqui para a frente.

Com tantas evidências contra si, sem apoio político e sem a estrutura do Gabinete do Ódio, Bolsonaro só tem seus eleitorais mais fiéis e seguidores radicais em redes sociais. A intenção do ato é mobilizar esta turma mais fiel em seu favor.

Outra intenção é, com isso, convencer os parlamentares bolsonaristas a se esforçarem por votar projetos que cortem poderes do Supremo Tribunal Federal, algo que tem sido difícil.

A convocação pode parecer demonstração de força, mas é um ato quase que de desespero de Bolsonaro, pois embute um risco enorme: o de aparecer pouca gente. Coisa assim já aconteceu no passado recente.

A questão está também na serventia do ato. Apoio de seguidores pouco podem fazer por Bolsonaro neste momento em que o jogo é disputado na Polícia Federal e no Supremo. Pode ser um desperdício de energia e um tiro no pé se pouca gente aparecer. Mas é o que resta a Bolsonaro.