Nesta terça começa de verdade o ano em Brasília e o governo vai sofrer nas mãos do Congresso. De saída, líderes da Comissão Mista de Orçamento se reunirão para decidir se derrubam o veto do presidente Lula no orçamento, que barrou R$ 5,6 bilhões em emendas.
É óbvio que todos querem derrubar, mas a reunião é só para pressionar o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, a convocar uma sessão do Congresso. Enquanto ele não fizer isso, os parlamentares da comissão nada podem fazer além de esbravejar.
Pacheco tem sido fundamental para Lula em momentos assim. Apesar dos pedidos dos que querem derrubar o veto, ele não convoca a sessão a pedido do presidente, para dar tempo ao governo. E assim fica.
Pacheco tende a ser o principal parceiro de Lula e do governo este ano. Será o contraponto ao presidente da Câmara, Arthur Lira: se Lira joga pelo confronto, Pacheco oferece ajuda a Lula. Deve ser assim até a eleição dos sucessores dos dois, daqui um ano.
Antes do Carnaval, Lula foi a Minas Gerais numa agenda farta e prestigiou Pacheco ao máximo. Candidato ao governo de Minas em 2026, o presidente do Senado apareceu mais que o governador do estado, Romeu Zema, bolsonarista.
Como mostrou o Bastidor, Lula e Pacheco conversam ainda sobre uma parceria PT-PSD na disputa pela prefeitura de Belo Horizonte. Pacheco defende a reeleição do prefeito Fuad Noman, mas Lula quer que o deputado petista Rogerio Correia seja candidato.
O tratamento com Lira é o contrário. Lula só foi a Maceió para tratar das vítimas do buraco da Braskem, nada de inaugurações ou festas ao lado do deputado. Enquanto Lira avança sobre o governo para ter maior controle do orçamento, Pacheco colabora segurando medidas que impedem isso, em troca de ajuda em Minas.
Neste ano, Lira será cada dia mais oposicionista para cortejar o bolsonarismo e obrigar o governo a aceitar seu candidato a sucessor, Elmar Nascimento. Pacheco faz o oposto: seu candidato é Davi Alcolumbre e ele corteja Lula com favores em busca de apoio.

