É grande a pressão que o empresário Rubens Ometto, da Cosan, aplica sobre Luís Henrique Guimarães, membro do conselho de Administração da Vale, para votar pela renovação do mandato de Eduardo Bartolomeo como CEO da mineradora.

A última reunião que discutiu o assunto, na quinta-feira (15), terminou empatada em 6 a 6 após Luís Henrique se abster. Homem de confiança de Ometto, o conselheiro pode se tornar um dos beneficiados da recondução de Bartolomeo. O dono da Cosan atrelou a renovação imediata de Bartolomeo à substituição dele por Guimarães, daqui a um ano. 

Na terça-feira, Luís Henrique participou da reunião de comitê de projetos da Vale e, segundo um executivo que participou do encontro, pressionou os diretores para a aquisição do porto em São Luís, no Maranhão, que pertence a Cosan. Esse, inclusive, foi um dos motivos que o levou a declarar que deveria se abster das discussões sobre a renovação do contrato do atual presidente da empresa. 

O colegiado volta a se reunir nesta quinta-feira (22) para debater o comando da mineradora e um possível negócio entre Vale e Cosan, objeto de pauta na reunião do comitê de terça. 

Fontes ligadas aos acionistas relatam que uma possível tentativa de Luís Henrique de votar em uma matéria na qual admitiu não dever participar por motivos de interesse cruzados com os projetos da Cosan desencadeará uma crise entre os conselheiros. A possibilidade de voltar atrás na sua decisão de se abster seria, na visão desses acionistas, um duro golpe na governança da empresa. 

A abstenção ocorreu após o Bastidor revelar a atuação de Ometto e do ministro Alexandre Silveira (Minas e Energia) para colocar um aliado na Presidência da Vale.

Os conselheiros contrários às manobras do empresário e do ministro querem uma seleção para eleger um substituto para Bartolomeo, mas não pretendem entregar o comando da Vale para Ometto.