A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) e o hacker Walter Delgatti Neto foram indiciados nesta quinta-feira, 29, pela Polícia Federal. Os dois são suspeitos de acessarem os sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para alterar o banco de mandados de prisão.
Segundo a Polícia Federal, Zambelli e Delgatti Neto cometeram os crimes de invasão de dispositivo informático e falsidade ideológica. Agora, caberá à Procuradoria-Geral da República decidir se apresenta ou não denúncia contra a dupla.
Delgatti Neto afirmou em depoimento que foi ele quem acessou os sistemas, a mando de Zambelli. À Polícia Federal, o hacker afirmou ter recebido 40 mil reais para realizar o serviço. Entre as alterações que ele realizou estava a inclusão de um falso mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
Zambelli nega os fatos e diz que o depoimento de Delgatti Neto é mentiroso. O hacker chegou a tentar uma delação premiada, mas a proposta não andou.
A defesa de Delgatti Neto já esperava pelo indiciamento, haja vista que o hacker confessou o crime. Outro homem, apontado por ele como ajudante, não foi indiciado, por falta de provas.
O hacker ficou conhecido nacionalmente por ter sido o responsável pelo vazamento de mensagens entre os procuradores da operação Lava Jato e o então juiz Sergio Moro. O caso foi alvo da operação Spoofing, que nunca foi julgado apropriadamente.

