O senador Rogério Carvalho (PT-SE) encerrou a primeira sessão de depoimentos da CPI da Braskem convicto da culpa da empresa na tragédia ambiental que interditou cinco bairros de Maceió, devido à exploração de sal-gema. Nesta terça-feira, 5, os senadores ouviram três especialistas, que apontaram indícios de negligência da companhia.

Aberta a pedido do senador Renan Calheiros (MDB-AL), a CPI pretende investigar a responsabilidade da Braskem no acidente e eventuais irregularidades nos acordos firmados entre a empresa e o poder público, com o objetivo de indenizar os moradores pela tragédia. Carvalho é o relator da comissão.

Nesta terça, o colegiado ouviu os engenheiros Abel Galindo, José Geraldo Marques e a professora da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) Natallya de Almeida Levino. Ao final da sessão, o relator já demonstrava certeza de que a empresa era culpada pelo desastre.

Ainda não está claro, porém, se a CPI irá se debruçar sobre os órgãos de fiscalização nas três esferas – municipal, estadual e federal. Conforme os depoimentos dos especialistas, havia indícios de problemas nas minas desde 2008, mas nada foi feito até 2019, quando os bairros foram evacuados.

O plano de trabalho de Carvalho prevê a convocação de agentes públicos, além da diretoria da Braskem. Porém, esses passos só podem ser tomados se houver aprovação dos requerimentos pelo colegiado.

Até o momento, só foram apreciadas as convocações de pessoas ligadas ao Ministério de Minas e Energia, à própria Braskem e à Agência Nacional de Mineração (ANM). Não houve nenhum pedido para a convocação de ex-integrantes de órgãos de controle, nem de ex-dirigentes da companhia.