A força política de Michelle Bolsonaro desperta sentimentos conflitantes em caciques do centrão. Numa ponta, os políticos experientes vêem na ex-primeira-dama um trunfo para puxar votos. Na outra, temem que a esposa de Jair Bolsonaro ganhe força demais ao longo do tempo e roube eleitores deles.

Durante o ato pró-Bolsonaro de 25 de fevereiro, Michelle mostrou que aprendeu a unir Igreja e Estado. Seu discurso político mais pareceu uma pregação, o que agrada os evangélicos – que já mostraram serem indispensáveis para vencer eleições.

Esta ligação da ex-primeira-dama faz com que integrantes do centrão prefiram os governadores de São Paulo, Goiás, Paraná ou Minas Gerais, respectivamente, Tarcísio de Freitas, Ronaldo Caiado, Ratinho Júnior ou Romeu Zema.

Do trio, Tarcísio é o preferido. Mas ele tem a opção da reeleição ao governo de São Paulo. Conservadores que conversaram com o Bastidor afirmam que a chapa presidencial possível, dentro do ideal, envolveria Caiado candidato a presidente e Michelle a vice.

Porém, para a ex-primeira-dama se candidatar, é preciso ter o aval de Bolsonaro, que já vetou a possibilidade no passado. E pagou caro. Michelle apoiou a ex-ministra Damares Alves e tirou uma vaga que poderia ter sido do PL no Senado.

Também pesam contra a candidatura de Michelle os escândalos envolvendo pagamentos com cartão corporativo da Presidência da República e os cheques depositados por Queiroz em sua conta.