O acordo para que o PL comandasse a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara em 2024 quase foi quebrado pelo presidente da casa, Arthur Lira, que em dado momento cogitou indicar um aliado do Centrão para o posto.
As discussões ganharam algumas reuniões de líderes. O plano de Lira só não foi adiante porque a ala bolsonarista do PL ameaçou votar em um candidato à presidência da Câmara que não fosse o indicado por Lira. O favorito é Elmar Nascimento, mas Marcos Pereira começou a buscar bolsonaristas em busca de um trato.
Mesmo se lançar um nome, o PL será fundamental no segundo turno da disputa. Houve também ameaças de se expor alguma troca de favores em decorrência de um possível acordo que tirasse a CCJ do partido.
Na tentativa de emplacar alguém do Centrão, Lira já tinha em Altineu Cortes, líder do PL na Câmara, um aliado. O deputado do partido de Bolsonaro alertou por diversas vezes os correligionários sobre o risco de o partido perder a eleição caso a indicação fosse considerada radical pelos pares. Não colou.
Os bolsonaristas exigiram que o presidente da Câmara cumprisse o acordo feito ainda na eleição que o levou ao comando da casa. A escolha do PL por Carol de Toni para presidir a CCJ já era pública desde o ano passado.
Mas não foi a opção pela deputada catarinense que mais incomodou a base governista, mas sim a eleição de Nikolas Ferreira para o comissão de Educação. Há um motivo: apesar dos embates públicos, no dia a dia da Câmara Carol de Toni é vista como alguém voltada ao diálogo nos bastidores, algo que não ocorre com Nikolas, um radical.
Parte da bancada do PT atribui a Lira a responsabilidade pelo deputado mineiro ter sido o escolhido. O presidente da Câmara, no entanto, optou por não queimar capital político sob o risco de embaralhar sua sucessão no comando da casa.

