O senador Rodrigo Cunha (Podemos-AL) deve usar a CPI da Braskem como palanque político para as eleições de 2026. Ele é o único alagoano do colegiado, depois da saída de Renan Calheiros (MDB-AL), que deixou o grupo por ter perdido as indicações para a presidência e a relatoria da comissão que ele mesmo criou.
Cunha se elegeu em 2019 na onda do bolsonarismo e com o apoio próximo de Arthur Lira, notório desafeto de Calheiros. Em 2022, o senador chegou a concorrer ao governo de Alagoas, em oposição à candidatura de Paulo Dantas, apoiado pelo presidente Lula e pelo ex-governador Renan Filho.
Porém, nos últimos meses, Cunha e Lira começaram a se afastar. Em outubro de 2023, o senador deixou o União Brasil e se filiou ao Podemos. O partido se coloca como independente, mas boa parte dos membros apoia iniciativas do governo. O parlamentar, que chegou a ser um dos críticos da Reforma Tributária, agora integra a base de Lula no Congresso.
O apoio ao governo petista é fundamental para quem quer se manter na política, sobretudo no Nordeste. Todavia, ao se afastar de Lira, Cunha aparece como uma espécie de terceira via no estado, já que também não tem apoio de Renan Calheiros.
Por isso, o trabalho de Cunha na CPI da Braskem, que investigará a responsabilidade da empresa no desastre ambiental de Maceió, é fundamental. O senador é autor de 13 requerimentos, atrás apenas do relator, Rogério Correia (PT-SE), que já apresentou 54 pedidos.
Cunha precisa da CPI, pois a situação em 2026 não lhe é favorável. Ele terá de renovar seu mandato, mas a expectativa é que Lira e Renan disputem as duas vagas ao Senado que estarão em jogo. Assim, Cunha teria de disputar contra os dois ou tentar novamente o governo do estado.
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