A defesa do empresário Roberto Mantovani Filho decidiu reclamar com o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, da decisão de retomar as investigações pelas agressões feitas ao ministro Alexandre de Moraes e sua família, na Itália. Segundo o advogado de Mantovani, o fim do sigilo revelou que nem todas as peças estão disponíveis para o acesso à defesa.

No site do Supremo, a ordem dos documentos do inquérito 4940 está incompleta. Alguns documentos anexados pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República não aparecem na devida ordem. Estão faltando os de número 54, 55, 101, 102 e 107. Até o momento, há 112 documentos produzidos no curso da investigação.

Segundo o advogado de Mantovani, esses documentos são importantes para garantir o acesso à plena defesa do suspeito. Entre os itens que não aparecem na consulta estão o vídeo gravado pelas câmeras do circuito interno de televisão do Aeroporto de Roma, onde aconteceram as agressões.

Mantidas em sigilo, as imagens podem comprovar ou derrubar as acusações contra Mantovani. Entretanto, Toffoli não cedeu ao pedido da PGR.

Em fevereiro, a Polícia Federal sugeriu o arquivamento do caso porque Moraes e a família teriam sido vítimas apenas de injúria, um crime de baixo potencial ofensivo, cuja pena não chegaria a render cadeia aos investigados. Os policiais também afirmaram que o fato de o crime ter acontecido na Itália tiraria das autoridades brasileiras a responsabilidade pela investigação.

Contudo, para a PGR, há uma série de elementos que corroboram com a tese de que Moraes e a família foram vítimas das agressões de Mantovani. Por isso, pediu que o caso fosse reaberto.