São dois os principais motivos que levaram o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, a derrubar o trecho da Medida Provisória enviada pelo governo, que acabava com a desoneração da folha de pagamentos de municípios de até 156 mil habitantes. Na prática, as cidades pagarão os atuais 8% de alíquota da contribuição previdenciária e não os 20%, como defendia o Palácio do Planalto.

Pacheco levou em consideração o ano eleitoral. Com a acusação de que o governo deve privilegiar aliados na distribuição de dinheiro de emendas em 2024, o senador ouviu de colegas da oposição que a manutenção integral da MP tiraria recursos de potenciais adversários do PT, que não seriam recompensados com recursos federais.

Embora contrária ao governo, a decisão agradou parlamentares da base aliada. A emenda que incluiu os municípios é do senador Ângelo Coronel. Por trás da inclusão, além do apelo de prefeitos, está a insatisfação com a articulação política de Lula, como adiantou o Bastidor em agosto do ano passado.

Os senadores governistas, portanto, exigem que o governo sente com cada um para negociar um projeto de lei, não mais uma MP. É o momento para os parlamentares cobrarem as emendas não pagas e eventuais mudanças nos ministérios, outro objetivo antigo do PSD.