A aparente força do ministro Alexandre Silveira (Minas e Energia) no episódio contra o presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, fia-se na relação do governo com o senador Rodrigo Pacheco, seu padrinho no governo.
Silveira é da cota do presidente do Senado, não necessariamente da bancada do PSD, e terá seu destino na esplanada dos ministérios selado após a eleição que definirá o substituto de Pacheco. A bancada do PSD, como já mostrou o Bastidor, reivindicou mais de uma vez a Lula trocas dos ministros do partido.
Silveira só fica no cargo caso o vencedor da eleição for Davi Alcolumbre – pela proximidade entre os dois, Pacheco pode pedir a permanência do ministro. Mas se for eleito um adversário do grupo político de Alcolumbre, como Renan Calheiros, é improvável que Silveira se mantenha.
O destino de Silveira também será definido com o espaço que Pacheco eventualmente terá no governo. Fora da presidência do Senado a partir de fevereiro de 2025 e com a intenção de ser candidato ao governo de Minas em 2026 com o apoio de Lula, o senador cogita assumir algum cargo na administração federal.
O Bastidor conversou nas últimas semanas com agentes públicos do setor de mineração e de petróleo. Ouviu que “tecnicamente, Silveira é fraco” e “não entende muito” sobre os temas de responsabilidade da sua pasta. Antes de entrar na política, o ministro foi delegado de polícia em Minas Gerais. Também é empresário.
As posições públicas adotadas, muito próximas ideologicamente ao PT raiz, de intervenção do estado em empresas e na economia, são menos por convicção e mais uma tática para permanecer no cargo.
A disputa que pode redundar na demissão de Prates da Petrobras não tem em Silveira o único participante. Além de Lula, há outros ministros que defendem a mudança na empresa. Silveira não será decisivo na escolha do substituto do presidente da petroleira. Será severamente prejudicado se o escolhido for o petista Aloizio Mercadante.
Atualização na segunda-feira (8) às 11h: O texto informava que o Silveira havia sido delegado da Polícia Federal, quando na verdade foi delegado-geral da Polícia Civil de MG.

