A ministra da Saúde, Nísia Trindade, foi levemente fritada por deputados da base do governo durante uma sessão da Comissão de Saúde, nesta quarta. Convocada, Nísia prestou esclarecimentos sobre as ações que realizou nos últimos 14 meses à frente do ministério.

Só o fato de Nísia ter sido convocada à comissão demonstra fraqueza ou leniência da base do governo em permitir a manobra. Nísia falou sobre o combate à dengue, repasse de recursos aos hospitais federais e sobre o repasse de verbas acima do limite ao município de Cabo Frio, onde seu filho é secretário municipal.

Há meses, Nísia é atacada pelo Centrão, que quer seu cargo e a chance de comandar um orçamento de R$ 218 bilhões este ano. Recentemente, ao mexer na gestão de hospitais federais no Rio, loteados entre o PT, passou a ser atacada também pelo partido do governo.

Dos deputados da oposição, Nísia recebeu críticas diretas no ponto fraco de sua gestão, os erros na condução da crise causada pelo aumento dos casos de dengue. A situação de Cabo Frio também foi explorada pelos opositores de Lula. Isso tudo, porém, já era esperado.

O que chamou a atenção foi a intensidade com que deputados da base do governo a criticaram de forma velada. Em mais de uma oportunidade, em meio a elogios repetitivos, petistas e outros parlamentares afirmaram que era preciso demonstrar melhor o que está sendo entregue.

Por trás das críticas, estão tentativas dos petistas de voltar a controlar politicamente as unidades que, historicamente, entregam atendimento precário à população e têm suspeitas de corrupção.

Nísia também foi criticada por não dar espaço na agenda aos parlamentares, que querem fazer lobby pela liberação de suas emendas. Ela tentou rebater com números: disse ter recebido mais de 200 deputados e 42 senadores em 2023. Os números que interessavam aos deputados, no entanto, eram de liberação de dinheiro das suas emendas para a eleição municipal.