A decisão do governo de editar uma portaria (leia aqui) sobre o controle das emendas parlamentares tem um alvo: o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). O texto volta a colocar a Secretária de Relações Institucionais, de Alexandre Padilha, no centro do controle da liberação dos recursos.

Em março, o Bastidor noticiou que o ministro estava escanteado por deputados, inclusive os da base governista, que passaram a recorrer cada vez mais a Lira em busca da liberação das emendas. Foi o presidente da Câmara quem, no mês passado, anunciou o pagamento dos recursos a parlamentares que esperavam desde o fim de 2023 pelo benefício.

Na Câmara, com a disputa pelo comando da casa a partir de 2025 a todo o vapor, Lira arregimentou em torno de si um apoio que vai além do centrão, enquanto Padilha é alvo de críticas de parlamentares de todos os espectros políticos.

O governo percebeu e, como já trabalha em candidaturas alternativas à de Elmar Nascimento (União Brasil-BA) na disputa pela presidência da Câmara, resolveu devolver a Padilha o controle das emendas.

Relatos feitos ao Bastidor há algumas semanas davam conta de que o ministro seguia sem cumprir promessas e, em um ano eleitoral, pouco ou nada participava das articulações do PT nas principais cidades do país.

A preocupação do governo, no entanto, é outra: tirar cada vez mais a influência de Lira.