O ano é de eleição municipal, a reforma tributária é um tema vasto, cheio de detalhes, divididos em três projetos que somam mais de 500 páginas. É algo extremamente difícil de negociar. Isso significa que, em tese, a reforma tem poucas chances de andar num ano curto, em que os parlamentares ficarão pouco em Brasília. Só que não é assim.

A reforma tributária tem enormes chances de ser votada e aprovada ainda este ano. Toda a economia brasileira está envolvida na nova estrutura de impostos e todos os setores defenderão seus interesses com um exército de lobistas. Deputados e senadores dificilmente desperdiçarão esta chance.

Todos os setores tentarão reverter o que está nos projetos do governo. Setores que ficaram de fora da lista de isenções, que pagarão alíquotas mais altas, mobilizarão seus lobistas para convencer parlamentares. Bancadas temáticas, como a do agronegócio, buscarão mais benefícios.

A complexidade da reforma tributária é o maior atrativo para os parlamentares. A legislação sobre impostos é detalhista, devido aos milhares de produtos em circulação. Decidir qual produto pagará mais ou menos pode depender de uma vírgula mal colocada no texto. É nestes momentos que o poder dos parlamentares se eleva.