A Justiça da Bahia determinou mais uma vez que a Ferbasa e a Fundação José Carvalho entreguem documentos necessários para averiguar se houve fraude na companhia e na instituição sem fins lucrativos. A decisão foi proferida nesta segunda-feira (6), quase uma semana após a ordem de busca e apreensão para a polícia acessar o material.
A Ferbasa e a Fundação José Carvalho pediram ao juiz Marcelo de Almeida Costa que os documentos fossem enviados via depósito em cartório – o que foi negado.
O caso foi levado ao Judiciário porque José Eduardo, filho de José Carvalho, acusa o pai de fraudar os bens da família para reduzir sua herança. O Bastidor já mostrou que Carvalho é suspeito de ter transferido ações da empresa à instituição sem fins lucrativos e de gastar até 50 milhões de reais anuais do patrimônio.
A decisão desta segunda é mais uma no caso, após idas e vindas do Judiciário baiano sobre o fornecimento da documentação pela Ferbasa e a Fundação. A medida quase havia sido suspensa pelo desembargador Manoel Bahia, amigo do advogado Marcelo Zarif, representante da Ferbasa.
Mas o desembargador do Tribunal de Justiça da Bahia declarou-se impedido no caso, após a exposição pública de sua relação com Zarif. Mas os problemas não param por aí.
Há, ainda, outros imbróglios com o dinheiro de Carvalho. Em 1999, Sergio Dória, presidente do conselho de Administração da Ferbasa, comprou a fazenda São Jorge, que pertencia à companhia até dois anos antes.
Foram pagos R$ 42 mil pelo o imóvel, preço muito abaixo do que a empresa pagou em 1984 – R$ 972 mil em valores atualizados. A propriedade, localizada em Catú, região metropolitana da Salvador, equivale a 60 mil campos de futebol.
Outro problema envolve as contas secretas mantidas pela Ferbasa na Suíça. O ex-diretor da Ferbasa Ernani Pettinati afirmou em depoimento que foram pagas comissões em duplicidade a firmas que só existiram no papel.
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