O deputado André Janones se livrou nesta quarta-feira (5) de um processo no Conselho de Ética na Câmara que poderia levar à cassação do seu mandato por uma acusação de praticar rachadinha em seu gabinete. O grande atrativo da sessão foram os bate bocas e uma quase briga de bar entre Janones e Nikolas Ferreira, do PL, e outros. Mas o mais interessante é a postura do deputado Guilherme Boulos, do Psol, relator do caso e pré-candidato a prefeito de São Paulo.

Num caso de típico pragmatismo partidário, Boulos fez um relatório no qual recomendou o arquivamento do caso. Defendeu a tese que a suspeita de rachadinha, ainda que seja verdadeira, ocorreu no mandato anterior. Janones, portanto, não poderia ser processado pelo Conselho agora. A tese é frágil, mas prevaleceu. Boulos, contudo, sofreu tantos ataques quanto Janones.

A questão é que Boulos começa a ser tratado pelo mundo político como alguém além de um deputado de primeiro mandato. Se não fosse pré-candidato a prefeito de São Paulo – e favorito -, seu trabalho não teria sido escrutinado e criticado. A pancadaria teria ficado apenas em cima de Janones. 

Ao elaborar o parecer, Boulos salvou um aliado que ajudou Lula a eleger-se presidente, ao enfrentar Bolsonaro nas redes sociais. Janones cobrou o favor e Boulos foi o escolhido para a missão.

Os passos de Boulos já são acompanhados de forma diferente e essa pressão vai se intensificar até outubro. Boulos não é só mais um deputado de primeiro mandato. Tentar subir de patamar custa caro.