O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, decidiu estender por mais 180 dias o prazo para a Polícia Federal concluir as investigações do inquérito que apura a suposta atuação de milícias digitais para a disseminação de desinformação política nas redes sociais. A decisão foi tomada a pedido da Polícia Federal.
Como o Bastidor mostrou, a PF não apresentou nenhuma justificativa fática para sustentar o pedido de prorrogação. A solicitação foi assinada por uma escrivã do Departamento de Inteligência da corporação, a pedido do delegado Fábio Alvarez Shor, responsável pela investigação.
A íntegra do despacho de Moraes não foi divulgada. Até a publicação desta reportagem o único trecho disponível falava sobre a decisão e a fundamentação do ministro para aceitar o pedido. A Procuradoria-Geral da República (PGR) foi intimada a tomar ciência, mas não chegou a ser consultada previamente para se manifestar sobre a necessidade ou não de se continuar a investigação.
“Considerando a necessidade de prosseguimento das investigações, com a realização das diligências ainda pendentes, nos termos previstos no art. 230-C, § 1º, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, prorrogo por mais 180 (cento e oitenta) dias a presente investigação. Ciência à Procuradoria-Geral da República. Comunique-se à autoridade policial”, diz o trecho divulgado.
O inquérito das milícias digitais é um dos que são usados para criticar a atuação de Moraes. Aberto desde 2021, ele ainda não rendeu nenhuma ação prática contra os investigados. Em vez disso, tem sido usado para receber cada vez mais pessoas no escopo da apuração, que tinha como objetivo principal encontrar não só a fonte, mas os financiadores do processo de disseminação de informações falsas nas redes sociais.
A última pessoa a ser incluída no inquérito foi o bilionário Elon Musk. O dono do X (ex-Twitter) se tornou alvo depois das críticas públicas feitas a Moraes na internet, articuladas com políticos de extrema-direita no Brasil.

