A Polícia Federal cumpre na manhã desta quinta-feira (4) mandados de busca e apreensão contra alvos suspeitos de participar da fraude nos cartões de vacinação do ex-presidente Jair Bolsonaro e familiares.

A segunda fase da operação Venire ocorre em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, e mira o ex-prefeito da cidade Washington Reis, hoje secretário estadual de Transportes, e Célia Serrano, secretária de Saúde do município. A ação foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal a pedido da Procuradoria-Geral da República.

A PF tem a informação de que duas doses de vacinas contra a Covid foram aplicadas em Bolsonaro no Centro Municipal de Saúde de Duque de Caxias nos dias 13 de agosto e 14 de outubro de 2022. Posteriormente, os dados foram retirados do sistema do Ministério da Saúde.

As investigações partem da hipótese de que Bolsonaro usaria o cartão de vacinas fraudado caso fosse exigido para entrar nos Estados Unidos. O ex-presidente viajou para o país no seu penúltimo dia de mandato.

Na primeira fase da operação, em maio, o ex-presidente foi alvo da Polícia Federal. De acordo com a corporação, as inserções falsas ocorreram entre novembro de 2021 e dezembro de 2022 com o objetivo de burlar as restrições sanitárias vigentes imposta pelos poderes públicos destinadas a impedir a propagação de doença contagiosa.

“A apuração indica que o objetivo do grupo seria manter coeso o elemento identitário em relação a suas pautas ideológicas, no caso, sustentar o discurso voltado aos ataques à vacinação contra a Covid-19”, disse a PF em nota.

Bolsonaro e outras 16 pessoas foram indiciadas pela PF pelas supostas fraudes. Entre elas, seu ex-ajudante de ordens Mauro Cid, que está preso após o início da investigação.