O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, já disse ao ex-presidente Jair Bolsonaro mais de uma vez que não será ele o porta-voz do bolsonarismo contra o Supremo Tribunal Federal. Pelo contrário, tem sido um dos principais interlocutores do ex-presidente junto a ministros da corte.
Não foi por outro motivo que, em seu discurso no CPAC, o evento da direita que ocorreu no fim de semana em Santa Catarina, Tarcísio elogiou muito Bolsonaro e a força da direita, mas não criticou explicitamente o STF ou o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), que tornou o ex-presidente inelegível.
Embora ideologicamente ligado a Bolsonaro, os movimentos políticos do governador seguem os conselhos de nomes moderados. O principal deles é Gilberto Kassab, presidente do PSD; Ciro Nogueira, presidente do PP, é outro.
Tarcísio sonha com a presidência, mas só entrará na disputa em 2026 se o cenário for muito adverso para Lula. Caso contrário, disputa a reeleição para o governo de São Paulo e aguarda para 2030. O roteiro foi desenhado por Kassab, embora haja pressão por parte de aliados de Bolsonaro para que seja Tarcísio o nome da direita daqui a dois anos em qualquer cenário.
Contará também para a decisão de Tarcísio, como mostrou o Bastidor, a eleição municipal de São Paulo. O governador foi entusiasta do apoio à reeleição de Ricardo Nunes, mesmo com nomes mais ligados a Bolsonaro à disposição. A avaliação é que a capital paulista será uma espécie de laboratório para 2026.
O motivo leva em conta o perfil do eleitor paulistano. Na capital, em 2022, ex-presidente foi derrotado por Lula e o governador Tarcísio de Freitas perdeu para Fernando Haddad. Hoje, seis em cada dez paulistanos dizem não votar em um candidato apoiado por Bolsonaro – que é o caso de Nunes.
O cálculo é: se uma frente ampla formada em torno de um nome moderado de centro-direita com o apoio dos bolsonaristas for capaz de superar a concorrência de Guilherme Boulos, o caminho para 2026 está traçado. Tarcísio quer chegar na disputa como o nome moderado da direita.

