O Psol não está em paz e atribui a culpa a Guilherme Boulos. O protagonismo autoimposto pelo aprendiz de Lula tem incomodado outros integrantes do partido por conta de alianças que destoam do perfil da sigla.

Fontes do partido disseram ao Bastidor que atitudes de Boulos para vencer as eleições à prefeitura de São Paulo resultam em falta de diálogo com outros nomes fortes do Psol. Esse comportamento, afirmam, mina o que a base da sigla espera.

Outro ponto que incomoda é a aliança com Marta Suplicy, que mesmo tendo surgido em meio à esquerda, nada tem de ligação com as camadas mais pobres da população, de acordo com gente do Psol.

Por trás da insatisfação está o histórico do Psol, nascido em 2004 da dissidência de uma ala mais à esquerda do PT, então insatisfeita com os rumos do primeiro governo Lula, que se aliou ao centro e aderiu a uma política econômica ortodoxa na ocasião.

Em tom jocoso, uma fonte disse que Boulos tem seguido o caminho de Marcelo Freixo, que há tempos faz alianças para ganhar força política. O ex-deputado estadual fluminense preside a Embratur desde o início do governo Lula.

Boulos e Freixo têm em comum as origens e os objetivos: nasceram na classe média, mas atuam na “quebrada”. Freixo tem um histórico de atuação parlamentar contra as milícias, enquanto Boulos se fez no movimento social por moradia.

O candidato do Psol à prefeitura paulistana está em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto, atrás do prefeito da cidade, Ricardo Nunes.