A Polícia Federal cumpre nesta quinta-feira (11) cinco mandados de prisão preventiva e sete de busca e apreensão na quarta fase da operação Última Milha, que investiga uso ilegal de um software de monitoramento e disseminação de fake news. O caso ficou conhecido como a “Abin paralela” de Jair Bolsonaro.

Foram presos o agente da PF Marcelo Araújo Bormevet, que foi levado para Abin por Ramagem; o militar do Exército Giancarlo Gomes Rodrigues, que também atuava na Abin e é suspeito de monitorar um advogado próxima da então deputada Joice Hasselmann; Richards Pozzer, que atuava na Secom e é suspeito de disseminar fake News e Mateus Spósito, ex-assessor na Secom.

Desde o ano passado, a PF investiga o uso ilegal do FirstMile, um software capaz de localizar um telefone celular a partir do número e rastrear o deslocamento do seu dono. A PF descobriu que, sob a direção de Alexandre Ramagem, a Abin usou o equipamento para monitorar pessoas consideradas adversárias do governo – entre políticos, jornalistas e advogados – sem qualquer justificativa ou licença legal.

Os dados eram passados, entre outras pessoas, para um dos filhos do presidente, Carlos Bolsonaro. Além do monitoramento, os integrantes da organização disseminavam notícias falsas sobre os adversários do governo. Este trabalho era feito pelo que ficou conhecido como “gabinete do ódio”, uma estrutura pequena, de assessores próximos e fieis a Bolsonaro e a Carlos.