A decisão do Tribunal Superior Eleitoral de enviar dois técnicos especialistas em sistemas eleitorais como observadores para as eleições na Venezuela, marcadas para o dia 28, era uma mudança necessária. Pode não ser suficiente para evitar as tradicionais fraudes, mas proporciona um pouco da pressão que o governo do ditador Nicolás Maduro necessita.

De início, o TSE havia dito que não enviaria observadores. Mudou de ideia de repente, sem dar explicações. Nada se compara às eleições nos Estados Unidos, mas a Venezuela é um tema sensível para o país e passará por sua eleição mais difícil desde que Maduro chegou ao poder, há mais de dez anos.

Pela primeira vez, a oposição tem chances reais de vencer – mesmo com as fraudes e as milícias a serviço da ditadura local. Após ter duas candidaturas barradas – María Corina Machado e Corina Yaris -, a oposição venezuelana uniu-se em torno do diplomata aposentado Edmundo González Urrutia.

O governo brasileiro não descarta a possibilidade de Maduro tentar adiar as eleições, diante do risco de derrota. Nos últimos meses, o presidente Lula deu declarações em favor da união da oposição, que indicam que há uma inédita impaciência com Maduro e seus abusos. O Itamaraty também fez notas menos lenientes, que resultaram em respostas do governo venezuelano.

O Conselho Nacional Eleitoral, controlado por Maduro, disse que vão participar a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), a Comunidade do Caribe (Caricom), um painel de especialistas das Nações Unidas, a União Africana e o Carter Center.

A inclusão de observadores internacionais foi um compromisso selado entre governo e oposição após negociações que ocorreram em Barbados, no Caribe, em outubro do ano passado. O acordo contou com a participação de Brasil, Estados Unidos, México, Holanda, Rússia e Colômbia. A ausência dos brasileiros seria ruim, por isso a mudança do TSE limpa um pouco a imagem.