Após semanas de pressão intensa e inclemente, Joe Biden desistiu de sua candidatura à reeleição. O presidente americano anunciou sua decisão hoje, domingo, pelas redes sociais.

Minutos depois, em outro post, Biden disse que apoiará Kamala Harris, sua vice-presidente, para concorrer no lugar dele. Em termos operacionais e políticos, é a solução mais simples para o Partido Democrata.

A decisão sobre uma possível candidatura de Kamala depende de outros atores do Partido Democrata. Mas o endosso de Biden, que deve ser seguido por outros políticos de peso da legenda, confere força expressiva a ela.

Nas principais pesquisas, Kamala tem desempenho levemente superior ao de Biden. Embora Donald Trump siga como favorito, a saída de Biden, cuja derrota era altamente provável, oferece a possibilidade de uma nova chapa – e, ao menos para os Democratas, um recomeço tardio para tentar construir caminho viável para vencer em novembro.

Os Democratas, assim, trocaram uma certeza intolerável (a derrota de Biden) por uma incerteza esperançosa (uma chance de encontrar uma chapa que possa competir com Trump).

Os eleitores americanos consideram Biden velho e frágil demais para comandar o país. Após um desempenho calamitoso no primeiro debate com Trump, Biden não conseguiu se recuperar. Sua desistência tornou-se uma questão de tempo. Aconteceu menos de um mês depois do debate.