A pesquisa Quaest sobre a disputa pela prefeitura de São Paulo divulgada nesta terça-feira (30) coloca em dúvida o alcance do apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro. A maioria dos entrevistados diz que não votaria num candidato desconhecido apoiado por ele, nem gostaria que o prefeito fosse seu partidário.
Em linha gerais, a pesquisa mostra que o apresentador José Luís Datena, do PSDB, se juntou no empate técnico com o prefeito Ricardo Nunes, do MDB, e o deputado Guilherme Boulos, do Psol. Datena tem 19% das intenções de voto, mesmo número de Boulos; Nunes tem 20%.
Segurança pública foi citado como o maior problema da cidade por 27% dos entrevistados, muito à frente da saúde (16%) e educação e desemprego, com 6%. Os eleitores paulistanos estão preocupados com segurança, um tema bolsonarista por excelência, mas não parecem receptivos a Bolsonaro, identificam-se mais com Datena.
Apenas 59% dos eleitores sabem que Bolsonaro apoia o prefeito Ricardo Nunes. Quando informados disso, 25% dos entrevistados dizem votar em Nunes; sem o apoio de Bolsonaro, são 26%. Bolsonaro ainda não ajuda Nunes, um temor que seus aliados alimentam há meses.
De acordo com os números da Quaest, 75% dos entrevistados dizem que não votariam num candidato desconhecido apoiado por Bolsonaro. Isso pode valer mais para um candidato como Pablo Marçal, mas Nunes ainda é desconhecido por 23% dos eleitores – ele assumiu o mandato como a morte de Bruno Covas, em 2021.
Em outro dado negativo, apenas 16% dos entrevistados gostariam que o futuro prefeito fosse aliado de Bolsonaro. Para efeito de comparação, 28% gostariam que o prefeito fosse aliado do presidente Lula e 51% que fosse independente.
Em resumo, o apoio do Bolsonaro parece não ajudar Nunes até o momento. O prefeito precisa disso, pois seu principal concorrente, Guilherme Boulos, tem o apoio do presidente Lula.
A Bolsonaro também é essencial que Nunes vença. Um aliado seu é vice de Nunes. Além do espaço na futura gestão, Bolsonaro precisa de força política para sobreviver aos revezes que virão na Justiça.
Escolhido candidato pelo PSDB no final de semana, Datena ainda gera dúvidas porque foi pré-candidato em todas as eleições desde 2016 e desistiu. Caso a tradição se mantenha, o levantamento da Quaest mostra que suas intenções de voto se dispersariam entre Nunes, Boulos, Tabata Amaral (PSB) e Pablo Marçal (PRTB), o que indica que o eleitor paulistano, seja identificado com a direita, seja com a esquerda, está preocupado com segurança.

