O candidato Edmundo González se autoproclamou presidente eleito da Venezuela nesta segunda-feira (5). Ele e a líder da oposição, María Corina Machado, divulgaram documento em que dizem ter vencido as eleições realizadas no dia 28 de julho. O texto, entretanto, tem caráter meramente simbólico.
Na madrugada do dia seguinte às eleições, o atual presidente, Nicolás Maduro, foi nomeado vencedor pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE), órgão que coordena o pleito na Venezuela. Entretanto, o resultado tem sido contestado pela oposição e por boa parte da comunidade internacional, que pedem a apresentação integral das atas eleitorais, que comprovariam a suposta vitória do líder chavista.
Como o Bastidor tem mostrado, até agora Maduro se recusa a apresentar tais documentos. Enquanto isso, a oposição apresentou parte das atas, que dariam a vitória a González, por ampla margem. O presidente venezuelano comanda, indiretamente, o CNE e os órgãos de justiça no país. Já a autenticidade das atas da oposição ainda carece de confirmação.
A manobra de González se assemelha à do antecessor dele, Juan Guaidó, que afirmou ter vencido as eleições de 2018. À época, o governo brasileiro, então comandado por Michel Temer, se absteve de dar apoio a Maduro e também não reconheceu o opositor. Meses depois, já sob o comando de Jair Bolsonaro, a diplomacia brasileira reconheceu Guaidó como presidente.
Agora, sob Lula, o Itamaraty tomou um posicionamento mais conservador. Não demonstrou apoio aberto a nenhum dos lados, mas exigiu de Maduro a apresentação das atas. Em entrevista, o presidente brasileiro disse que considera a situação venezuelana “normal” e afirmou que, depois de divulgadas as atas, a oposição deveria recorrer à Justiça local para reverter o resultado, se for o caso.
Nesta segunda-feira, Lula está no Chile e tem como objetivo convencer o colega, Gabriel Boric, a reduzir o tom contra o regime de Caracas. O líder chileno foi um dos poucos nomes da esquerda mundial que reconheceu a vitória de González e rechaçou as manobras de Maduro para se manter no poder.
Leia a íntegra do comunicado de González (em espanhol):


