Mito da televisão brasileira, o empresário Sílvio Santos (Senor Abravanel no nome real) morreu neste sábado, aos 93 anos, após uma broncopneumonia. Vendedor nato, Sílvio estabeleceu padrões para os programas de auditório, influenciou a cultura brasileira nos séculos 20 e 21, criou sua própria emissora, o SBT, e um grupo de empresas derivadas. Foi dos personagens mais influentes do país nos últimos 60 anos.

Sílvio Santos se fez o maior personagem da TV brasileira a partir da compra de um horário na TV Paulista, para apresentar seu programa de auditório. A emissora foi depois comprada pela Globo, mas ele ainda ficou por algum tempo, até montar sua própria emissora, o SBT (Sistema Brasileiro de Televisão).

Entre as décadas de 1970 e 2010, Sílvio Santos dominou os domingos do SBT com seu programa, que servia de vitrine para outros dos seus negócios, como o título de capitalização Baú da Felicidade, e a empresa de cosméticos Jequiti, entre outros. Com o SBT estabeleceu um jeito seu de fazer televisão, que fugia do padrão de excelência da Globo, e apostava em novelas mexicanas de gosto duvidoso, o lendário humorístico Chaves e, claro, seu programa.

Teve até um banco, o Panamericano, que quebrou devido a uma fraude de R$ 4 bilhões e acabou comprado pelo BTG – hoje se chama banco Pan. Quando a fraude foi descoberta, Sílvio Santos assumiu tudo e ofereceu seu patrimônio como garantia para um empréstimo para salvar a instituição.  

Sílvio Santos teve forte atuação política. No governo João Figueiredo (1979-85) criou o quadro “A Semana do Presidente”, que era exibido no final do domingo durante seu programa, como forma de adular o presidente. Tentou ser candidato quatro vezes, todas deram errado. Várias vezes sacrificou o jornalismo de sua emissora em prol de seus interesses comerciais.