O empresário e coach Pablo Marçal é candidato a prefeito de São Paulo pelo PRTB, mas a ação do Ministério Público Eleitoral para investigar sua candidatura é importante para a política em escala nacional. Pode ser uma oportunidade de traçar uma linha divisória entre a política institucional e a atividade política no mundo fluido das redes sociais.
O MP reagiu a um pedido do PSB, da candidata Tabata Amaral, segundo o qual Marçal promete pagamento a seguidores que republicarem trechos dos vídeos eleitores que ele posta. Ele é suspeito de estar abusando de seu poder econômico – declara ter patrimônio de R$ 190 milhões e tem 12 milhões de seguidores no Instagram onde vende “cursos” – para levar vantagem sobre os concorrentes.
Em resumo, Marçal é suspeito de pagar a seus seguidores para fazerem propaganda de sua candidatura, o que está fora da lei.
Em 2017, as campanhas eleitorais passaram a ser financiadas com dinheiro público para equilibrar o jogo e reduzir a corrupção, evitar o que ficou claro na Operação Lava Jato: contribuições de campanha eram investimento de empresas em políticos, que pagavam depois com proteção e legislação favorável a suas financiadoras.
Não havia na ocasião situações como a de Marçal, alguém que pode contornar o sistema por outro meio, transformando seguidores em cabos eleitorais pagos com dinheiro que não vem do fundo partidário – o que no caso de Marçal seria irrisório, dado o PRTB ser um partido pequeno. Candidatos podem colocar dinheiro privada nas campanhas, mas sempre na mesma proporção do fundo eleitoral dos seus partidos.
Marçal é candidato em São Paulo, mas outros como ele podem surgir em qualquer parte do país. Por isso, qualquer decisão em torno de seus procedimentos de campanha interessa em escala nacional. A ação pode ser a chance de estabelecer limites entre o que é legal ou ilegal a partir da atuação política no mundo digital e fechar uma brecha pela qual pode passar muita coisa.

