A campanha de Ricardo Nunes está convencida de que não será possível fazer frente ao coach Pablo Marçal nas redes sociais. Internamente, já se admite a possibilidade de o prefeito de São Paulo ficar de fora do segundo turno contra Guilherme Boulos. A estratégia para tentar sair da situação será mostrar que Marçal é frágil e pregar o voto útil.

Nunes enfrenta um problema difícil de superar. Seis entre dez paulistanos dizem que não votariam num candidato apoiado por Jair Bolsonaro. Por isso, apesar do apoio oficial do ex-presidente, Nunes e aliados resistem a “bolsonarizar a campanha”. Acreditam que, se fizerem isso, perderão.

O problema é que Marçal cresce entre os bolsonaristas. Pesquisas internas da campanha identificaram que o eleitor fiel de Bolsonaro tem migrado para o coach, em vez de aderir ao prefeito, seu candidato oficial. 

A partir desse cenário, o principal trunfo da comunicação de Nunes será dizer ao eleitor de direita que, em um hipotético segundo turno contra Boulos, Marçal é um candidato mais frágil e pode perder. É a pregação do voto útil pela direita de saída.

As pesquisas qualitativas contratadas pela campanha apresentam um panorama de que Nunes derrotaria Boulos, mas Marçal perderia. Os resultados são semelhantes aos das pesquisas quantitativas feitas por empresas como Datafolha e Quaest.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, montou uma espécie de comitê de crise na semana passada. Desde então, Bolsonaro e aliados mais próximos gravaram vídeos de apoio a Nunes e de críticas a Marçal.

A medida ocorreu após alguns constrangimentos. Notórios nomes da direita em São Paulo foram confrontados, nas redes sociais e pessoalmente, por eleitores bolsonaristas que questionaram o apoio do ex-presidente a Nunes. Os simpatizantes relataram a preferência por Marçal. Pessoas próximas à campanha do prefeito falaram sobre os episódios ao Bastidor.

Foi preciso articular com certa urgência uma reação ao crescimento do coach nas pesquisas. Mesmo com poucas armas para enfrentá-lo nas redes sociais, a campanha de Nunes vai tentar expor que o voto em Marçal é o caminho mais curto para entregar a maior cidade do país para a esquerda.