A Justiça da Venezuela determinou a prisão do candidato à Presidência da República Edmundo González, principal opositor de Nicolás Maduro nas eleições deste ano, realizadas no fim de julho. A determinação partiu de um pedido do Ministério Público local, devido ao fato de González deixar de comparecer três vezes para depor sobre o resultado eleitoral.
Aos 75 anos, González se tornou o principal candidato de oposição depois que Maduro conseguiu impedir a líder do grupo, María Corina Machado, de concorrer. Segundo a oposição, o ex-embaixador foi o vitorioso na disputa, mas o governo venezuelano, apoiado pela máquina judiciária, afirmam que isso não aconteceu.
A controvérsia no resultado das eleições venezuelanas reside principalmente na falta de apresentação das atas eleitorais, documentos equivalentes aos boletins de urna no Brasil. Neles consta o resultado de cada urna, em cada seção eleitoral venezuelana.
A oposição divulgou uma série de atas que comprovariam a vitória de González sobre Maduro, depois que o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) confirmou a reeleição do presidente. A autenticidade de tais documentos foi comprovada por algumas organizações internacionais, mas não é possível ter certeza do resultado, já que os documentos oficiais nunca foram divulgados.
Maduro entrou na Justiça para ter a reeleição confirmada. Como ele controla as cortes superiores do país, não foi difícil conseguir um resultado favorável. Desde então, protestos contra a permanência dele têm sido reprimidos com truculência e com a prisão de vários opositores.
A divulgação das supostas atas feita pela oposição levou o Ministério Público venezuelano a abrir um inquérito. O órgão também é controlado por aliados de Maduro. Eles intimaram González para depor em três oportunidades, mas ele não compareceu, temendo ser preso durante o interrogatório.
A lei venezuelana determina que as autoridades podem solicitar um mandado de prisão depois de três faltas seguidas a sessões de depoimento ou interrogatório. O candidato passou a ser suspeito de crimes como usurpação de funções da autoridade eleitoral, falsificação de documentos oficiais, incitação de atividades ilegais e sabotagem de sistemas.
María Corina Machado, a líder da oposição, afirmou nas redes sociais que a tentativa de prender González demonstra que os apoiadores de Maduro “perderam toda a noção da realidade”. Segundo ela, as ameaças ajudam a fortalecer a oposição contra o governo.
Sem avião e sem dinheiro
Também nesta segunda-feira, o governo dos Estados Unidos apreendeu um avião usado para o deslocamento de Maduro. A aeronave se encontrava na República Dominicana e foi alvo de uma operação conjunta entre os estadunidenses e as autoridades locais.
O governo de Joe Biden alega que o avião modelo Dassault Falcon 900 EX foi exportado ilegalmente dos Estados Unidos para a Venezuela, usando uma empresa de fachada sediada no Caribe. A negociação teria burlado as sanções econômicas impostas a Maduro, ainda durante a administração de Donald Trump. A aeronave tem registros de voos transportando o próprio Maduro para vários países, incluindo o Brasil.
Em nota, o governo da Venezuela classificou a operação como “pirataria”. “Os Estados Unidos demonstraram que utilizam seu poder econômico e militar para amedrontar e pressionar Estados como a República Dominicana, para que sirvam como cúmplices para seus atos delinquentes”, afirmou a administração venezuelana.
Apesar da apreensão, ninguém foi preso. Ainda não está claro o que o avião fazia na República Dominicana. O jato já foi levado para a Flórida, onde permanece à disposição das autoridades.
De acordo com a Bloomberg, a apreensão do jato foi apenas a primeira de muitas medidas que devem ser aplicadas pelos estadunidenses contra Maduro. A agência de notícias disse que teve acesso a documentos de futuras sanções que serão implementadas contra pelo menos 15 apoiadores do regime venezuelano, em virtude da manutenção do presidente no poder.

