O nome de Hugo Motta na disputa pela presidência da Câmara não foi uma surpresa para Lula. Arthur Lira e deputados da base aliada há meses falam com o petista sobre a possibilidade do parlamentar da Paraíba entrar na disputa.
O Bastidor noticiou em março que, caso Elmar Nascimento e Marcos Pereira, encontrassem dificuldades para se viabilizarem, Lira tenderia a apoiar Motta. O presidente da Câmara já havia feito diversas sinalizações nesse sentido a líderes da Casa.
Motta levava algumas vantagens. Não contava com a antipatia de Jair Bolsonaro, como no caso de Pereira, e nem tinha o veto de Lula, como Nascimento.
Mas bastou o seu nome ascender, em articulação que envolveu o senador Ciro Nogueira e o aval do ministro Rui Costa (Cassa Civil), para aliados de Lula levarem ao presidente o risco de se ter no comando da Câmara um deputado que tem um bom diálogo com o PL de Bolsonaro.
Motta, antes de se tornar aliado de Lira, era próximo de Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara que abriu o processo de impeachment de Dilma Rousseff.
Para alguns dos principais aliados de Lula no Congresso, Motta no comando da Câmara representa um risco que o petista faria bem em evitar. É o presidente da Câmara que pode deflagrar um processo de impeachment. Embora hoje Lula não corra qualquer risco, dois anos são uma eternidade na política brasileira – e dois antes das próximas eleições presidenciais. Num cenário adverso, Lula dependeria de alguém com relações próximas à oposição. Mais do que Arthur Lira.
Apesar de não ter o veto de Lula, Motta nunca foi o seu favorito. No início do ano, o presidente já havia dito a aliados que preferiria Pereira. Sinalizou que o deputado poderia iniciar a campanha para se viabilizar. Tentou ajudar ao sugerir a desistência de Antônio Brito. Não conseguiu.
De aliados contrários a Motta, Lula ouviu que o deputado era menos confiável do que Pereira ou Brito. De Pereira, Lula recebeu a garantia de que Motta não descumpre compromissos.

