O procurador-geral da República, Paulo Gonet, manifestou-se contrário ao envio de cópia da íntegra do inquérito das fake news ao Tribunal Superior Eleitoral. O pedido foi feito pelo ministro Raul Araújo, corregedor-geral eleitoral, em razão de um processo movido pela coligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, contra Jair Bolsonaro e uma série de apoiadores.
Araújo tem histórico favorável ao ex-presidente. Na corte, ao analisar o processo que tornou Jair Bolsonaro inelegível, ele foi um dos que se posicionou contrários ao relatório do ex-corregedor, Benedito Gonçalves. Em vários círculos de Brasília, tratam-no como bolsonarista.
Esse, porém, não foi o motivo pelo qual Gonet se posicionou contrário ao envio do material. Segundo o procurador-geral, não havia na petição a explicação detalhada sobre o motivo de se obter acesso aos autos, cuja maior parte dos documentos segue sob sigilo.
“As investigações apontadas no pedido são sigilosas e encontram-se em curso no Supremo Tribunal Federal. Não há notícia de apresentação de relatório conclusivo nos autos nomeados”, afirmou Gonet.
O processo no qual Araújo solicitou o acesso às informações apura uma queixa da coligação petista que reclamou do uso de redes sociais por parte dos bolsonaristas para tentarem deslegitimar o processo eleitoral de 2022.
Além de Jair Bolsonaro, constam no rol de investigados o ex-candidato a vice, Walter Braga Netto, os deputados federais Nikolas Ferreira, Gustavo Gayer e Bia Kicis, o senador Magno Malta e os filhos do ex-presidente Eduardo e Flávio Bolsonaro.
Caso sejam condenados, os envolvidos podem perder os respectivos mandatos e se tornarem inelegíveis por até oito anos.

