No processo em que os ministros do Tribunal de Contas da União decidiram que não cabe à corte fiscalizar a disputa entre a J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, e a Paper Excellence pelo controle da Eldorado Celulose, chama a atenção a participação do deputado federal Marx Beltrão, do PP de Alagoas – que, em tese, nada tem a ver com o assunto.
Ele se manifestou nos autos do processo. Num ofício a que o Bastidor teve acesso com exclusividade, o parlamentar usa argumentos dos irmãos Batista. Defende que é preciso autorização do Congresso e do Incra, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, para a compra de terras rurais por estrangeiros. Trata-se de uma tese que a J&F passou a usar após perder a arbitragem sobre a disputa pelo controle da Eldorado.
Na última semana, o Bastidor procurou o deputado Beltrão por telefone e e-mail para entender o interesse do parlamentar no tema. O gabinete não retornou os contatos e não justificou o motivo da apresentação da petição. Também não quis esclarecer as razões pelas quais tanto se dedica à J&F.
A relação do deputado com os irmãos Batista não é nova. Quando foi escolhido para ocupar o ministério da Cultura, no governo Michel Temer, Beltrão teve que responder sobre os 236 mil reais que recebeu da JBS na campanha de 2014. Os recursos foram repassados pelo diretório estadual do PMDB, seu então partido. À época, limitou-se a dizer que os valores foram regulares e constaram na prestação de contas no TSE.
O TCU decidiu separar a petição de Beltrão do caso que corria na corte e foi arquivado. A representação será analisada em outro processo, com relatoria do ministro Antonio Anastasia.
Leia o ofício do deputado apresentada ao TCU:

