Fundos de investimento ligados ao agronegócio operaram com as cotações em queda livre, nesta quinta-feira (19). O principal motivo é o pedido de recuperação judicial da AgroGalaxy, gigante do setor, que atua na venda de insumos para produtores rurais de diversos níveis.

A empresa entrou com o pedido judicial na quarta-feira (18), anunciando que está com cerca de 2 bilhões de reais em dívidas acumuladas. A iniciativa foi motivada pelo vencimento antecipado de débitos da empresa, o que colocou em risco o caixa da companhia. O presidente da empresa e cinco membros do conselho de administração renunciaram aos cargos, na esteira da quebradeira da empresa.

Os fundos mais atingidos são os que têm exposição aos Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), emitidos pela AgroGalaxy. Um deles, o XPCA11, chegou a registrar queda de 6,26%. O fundo possui cerca de 8,2% do patrimônio líquido baseado na dívida da AgroGalaxy. Recentemente, a empresa emitiu mais de 800 milhões de reais em CRAs.

A queda, porém, foi pequena se comparada às ações da companhia. Os papéis derreteram 25,51% ao longo desta quinta-feira, fechando o dia cotados a apenas 73 centavos.

A AgroGalaxy argumentou que o cenário do agronegócio brasileiro, com sucessivas crises econômicas, eventos climáticos adversos, juros abusivos e alta nos custos de produção fizeram com que aumentasse consideravelmente a inadimplência no setor, levando a empresa ao cenário atual.

Ainda não há detalhes sobre a recuperação judicial da AgroGalaxy, pois o processo corre sob segredo de justiça. No comunicado ao mercado, a empresa sequer informou onde o processo foi protocolado.

A AgroGalaxy informou que irá adotar medidas para melhorar a eficiência operacional, mas também não deu detalhes sobre o que irá fazer. Na prática, isso normalmente se resume a cortes de pessoal e fechamento de unidades. Nesse período de transição, a empresa será comandada por Eron Martins, que era diretor financeiro da companhia e assumiu depois da renúncia do presidente e dos membros do conselho.