A articulação que alçou o deputado Hugo Motta a candidato a presidente da Câmara envolve uma disputa entre Valdemar Costa Neto, dono do PL, e Gilberto Kassab, dono do PSD.

Não é à toa que parlamentares do PL passaram a atacar abertamente Kassab e aliados nos últimos dias. Por trás das críticas, está o receio de o PSD se tornar o partido com o maior número de prefeituras e conseguir o comando da Câmara ou do Senado.

Na Câmara, o PSD tem Antônio Brito. Ele, a mando de Kassab, insiste na candidatura. Hoje é visto como o principal adversário de Motta. Nenhum dos dois é considerado o nome ideal pelo bolsonarismo raiz, mas a campanha contra o PSD mira justamente a criação de uma narrativa que justifique o provável apoio do PL a Motta, do Republicanos. O partido de Valdemar negocia postos importantes na mesa diretora.

Como antecipou o Bastidor na semana passada, o PSD também faz parte de uma articulação que conta com membros do governo e do MDB para enfrentar o favoritismo de Davi Alcolumbre no Senado. É improvável que o mesmo partido comande as duas casas legislativas, mas os movimentos deixam claro que Kassab vai avançar forte sobre uma delas.

Kassab vai esperar as eleições municipais para calcular a rota, mas aposta no aumento de prefeitos da sua sigla para ter mais força no jogo.