O presidente Lula começou a cobrar de seus ministros ações firmes contra as ameaças decorrentes do avanço das bets. Relatório divulgado pelo Banco Central nesta semana mostrou que, entre janeiro e agosto deste ano, as empresas do setor movimentaram entre 18 e 21 bilhões de reais mensais. Parte desse total foi transacionada por brasileiros de baixa renda, inscritos no Bolsa Família.
Lula reclamou a ministros que, até a divulgação dos dados pelo BC, desconhecia o tamanho do buraco. Em Brasília, iniciou-se uma mobilização do governo e do Supremo Tribunal Federal para se discutir os limites das bets.
O movimento fez com que principais empresas de apostas que atuam no Brasil se antecipassem e anunciassem a proibição do pagamento de jogos com cartão de crédito. A medida é considerada insuficiente.
O ministério do Desenvolvimento Social, comandado por Wellington Dias, já fala em proibir o uso do cartão do Bolsa Família para pagamentos dos jogos. O monitoramento ocorreria com base no CPF do apostador. O governo ainda não detalhou como o controle ocorreria.
Os ministérios da Fazenda e da Casa Civil lideram o processo de regulamentação. Após a reclamação de Lula, outras pastas devem participar mais ativamente das discussões.
Somente em agosto, 5 milhões de beneficiários do Bolsa Família gastaram 3 bilhões de reais com apostas online, segundo dados do BC. A idade do apostador também influencia nos valores: quanto mais velho, mais gasta. A maioria dos apostadores tem entre 20 e 30 anos e gasta, em média, 100 reais mensais. Já aqueles com mais de 60 anos gastam, em média, 3 mil reais por mês em apostas.

