O trabalho pouco proveitoso da Polícia Federal no inquérito que apurava o suposto pagamento de propina aos senadores Renan Calheiros, Eduardo Braga e ao ex-senador Romero Jucá, todos do MDB, terminou como se esperava: a Procuradoria-Geral da República decidiu não processar os dois senadores que têm mandato e enviou o caso do terceiro à primeira instância, com poucas chances de prosperar.
O trio era suspeito de ter recebido propina para favorecer a Hypermarcas em votações no Congresso. O dinheiro seria usado para ajudar nas campanhas dos caciques do MDB. Segundo um dos delatores, a empresa, que hoje se chama Hypera Pharma, pagou mais de 20 milhões de reais a Calheiros, Braga e Jucá.
Ocorre que a investigação pouco avançou em seis anos. A Polícia Federal apontou indícios fracos de materialidade. Sequer houve a quebra de sigilo bancário do trio e, segundo a PGR, boa parte das conclusões foram baseadas na palavras de delatores que apenas “ouviram dizer” que os caciques do MDB pediram propina.
Segundo a suspeita da Polícia Federal, os pagamentos foram intermediados pelo lobista Milton Lyra. O ex-diretor da Hypermarcas Nelson José de Mello foi um dos delatores que ajudou a montar a história. Entretanto, a versão contada por ele tinha problemas na origem dos depoimentos. Ele teve que repactuar sua delação após ser acusado de omitir informações para privilegiar a companhia, principalmente o acionista majoritário, João Alves de Queiroz Filho.
Com a decisão da PGR de pedir o arquivamento do processo contra Calheiros e Braga, é pouco provável que a ação progrida. O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, relator do caso, pode pedir mais informações, mas isso dificilmente acontecerá.
Já a parte envolvendo Jucá, que será encaminhada à primeira instância, poderá ter o mesmo destino. Isso dependerá da avaliação e da vontade dos procuradores locais para continuarem ou não as investigações.

