A rigor, o segundo turno da eleição municipal em Goiânia será entre Fred Rodrigues, do PL, e o ex-deputado Sandro Mabel, do União Brasil. Mas há mais além da aparência. Será uma disputa dentro da direita, que vai opor o ex-presidente Jair Bolsonaro ao governador de Goiás, Ronaldo Caiado, numa prévia por espaço político em 2026.

Inelegível, Bolsonaro já tem seu candidato para 2026, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Caiado não liga para isso. Também quer candidato a presidente, pelo União Brasil. Ambos estão na direita e terão de enfrentar o presidente Lula. Mas Bolsonaro não quer Caiado no páreo, quer liderar o segmento sozinho.

Bolsonaro investe para tirar espaço de Caiado. Participou de um comício de Fred na penúltima semana de campanha. Foi quando chamou Caiado de “covarde”. Até ali, Fred patinava em quarto lugar nas pesquisas, que mostravam a liderança de Sandro Mabel, seguido pela petista Adriana Acorsi. No comício, Bolsonaro deixou claro que não estava ao lado de Caiado, que seu candidato era Fred, e não Sandro Mabel.

A disputa é importante porque Bolsonaro não pode desistir de ser o líder da direita, o que está difícil. Caiado tem poucas chances, mas vai disputar espaço com Tarcísio até 2026. Em São Paulo, Bolsonaro já percebeu que poderá ter um concorrente que não controla, o coach Pablo Marçal, que conquistou os bolsonaristas mais radicais.

A direita cresceu e isso impõe desafios a Bolsonaro. Ele poderia deixar Caiado trabalhar e, em 2026, decidir entre ele e Tarcísio. Mas Caiado nada deve a Bolsonaro – ao contrário de Tarcísio, que é sua cria política. Como Marçal está fora do segundo turno, o ex-presidente investirá para evitar o crescimento de Caiado. Isso implica em impor ao governador uma derrota em Goiânia.