Quase um mês depois do líder do PT na Câmara, Odair Cunha, sinalizar apoio da bancada à candidatura de Hugo Motta para o comando da Câmara, o presidente Lula mandou segurar as articulações.

Os votos de petistas ao nome apoiado por Arthur Lira chegaram a ser dados como certos há semanas. Algo mudou. O baixo clero da bancada do PT tem prevalência por Antônio Brito, do PSD de Gilberto Kassab, que envolveu a eleição na Câmara nas negociações para a reeleição de Ricardo Nunes em São Paulo.

A ordem de Lula de interromper a discussão com Motta ocorreu justamente após o 1º turno das eleições municipais, quando o PSD passou a ser o partido com o maior número de prefeituras do país. Kassab resistiu a retirar o nome de Brito em benefício de Marcos Pereira. Fechou uma aliança com Elmar Nascimento em busca de união em torno de uma candidatura.

A bancada do PT, até agora, não se reuniu para discutir quem apoiar. Deputados do partido em conversa com o Bastidor, em caráter reservado, reclamam da liderança de Odair. Não veem nenhum protagonismo da segunda maior bancada da casa e temem que o partido aja a reboque do que for decidido pelo Centrão e pela direita. Não enxergam em Motta um ator confiável diante da proximidade que teve por anos com Eduardo Cunha. Não creem que a governabilidade melhorará com um preposto de Lira e Ciro Nogueira.

Ao contrário de Elmar Nascimento, Lula nunca vetou Motta, o que não quer dizer que o presidente o enxergue com bons olhos.