No começo da tarde desta segunda-feira (14), a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), afirmou que notificará a Enel e a prefeitura de São Paulo a darem explicações pelo apagão que atinge parte da cidade de São Paulo e a Região Metropolitana desde um vendaval ocorrido na sexta-feira (11) à noite.
Além de questionar a Enel sobre sua capacidade de atender à emergência, a Secretaria quer saber se a prefeitura estava em dia com o cronograma de poda de árvores – uma das principais causas da falta de luzo foi a queda de árvores sobre a fiação. A medida será acompanhada pela Advocacia-Geral da União (AGU).
A Controladoria-Geral da União (CGU) afirmou que fará uma auditoria na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para apurar eventuais falhas na fiscalização de empresas como a Enel. A medida, porém, pode atingir a Arsesp, a agência reguladora do governo de São Paulo que fiscaliza o setor de energia.
É a entrada do governo federal em uma história de omissão que envolve a Enel, a prefeitura e o governo paulista.
Pela manhã, o diretor de operações da Enel, Darcio Dias, concedeu uma confusa entrevista à TV Globo, na qual tentou justificar a falta de ação da empresa. Ele disse que as equipes da empresa foram reforças com funcionários de outros estados e estão trabalhando sem parar, com força total nas ruas. Entretanto, imagens de helicóptero da emissora mostravam, ao vivo, pátios da empresa repletos de caminhões parados.
Em uma entrevista coletiva, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, disse ter dado prazo de três dias para que a Enel retome o fornecimento de energia aos moradores ainda atingidos. Anunciou uma força-tarefa com outras quatro concessionárias para ajudar no trabalho.
Entretanto, deixou de anunciar eventuais punições mais drásticas à Enel e fez críticas ao prefeito Ricardo Nunes (MDB), que disputa a reeleição contra o candidato do Palácio do Planalto, Guilherme Boulos (PSOL).
Boulos aproveitou a crise para fazer campanha. Nas redes sociais, gravou vídeos tentando pedir ajuda da prefeitura para o corte de árvores caídas em bairros periféricos, recebendo respostas evasivas dos atendentes.
Ricardo Nunes tentou jogar a culpa do apagão exclusivamente na Enel. Mas boa parte do problema foi ocasionada por árvores que caíram e atingiram a fiação elétrica – o controle e poda de árvores é um serviço da prefeitura. Nunes devolveu as críticas ao ministro Alexandre Silveira e à Aneel e reclamou da possibilidade de o governo renovar a concessão da empresa.
O governador, Tarcísio Freitas, que no fim de semana também tentou culpar o governo federal, anunciou que o Procon notificará a Enel, mas não informou se haverá alguma multa pelo problema causado aos moradores.
Nada disso mudou a situação. No último boletim divulgado pela Enel, a falta de energia ainda atinge cerca de 430 mil imóveis, sendo 280 mil só na capital. As outras unidades consumidoras com problemas estão nas cidades de Cotia, Taboão da Serra e São Bernardo do Campo.

