Representantes de fundos de pensão e de grandes bancos públicos em Brasília e no Rio de Janeiro têm sido abordados com frequência por membros da Mubadala Capital, um aliado brasileiro do gigantesco fundo soberano de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos.
O objetivo é captar recursos para investimentos que a gestora faz no Brasil desde 2012, quando comprou 5,6% da holding EBX, de Eike Batista. O fundo, que na verdade é brasileiro, se especializou na aquisição de companhias com sérias dificuldades financeiras. Em seu portfólio consta desde mineradora, refinaria de petróleo, usinas de açúcar e álcool e rede de academia. Adquiriu mais recentemente a Starbucks no Brasil.
Nas abordagens, contudo, os representantes da Mubadala Capital não deixam claras todas as informações. Citam repetidamente a robustez do fundo soberano de Abu Dhabi, mas não dizem que hoje 70% dos recursos que possuem em gestão vêm de entes privados. Os outros 30% é que são alocados pelo fundo dos Emirados Árabes, na condição de investidor.
Em contato com o Bastidor, alguns procurados pela Mubadala dizem que saíram das conversas com a equivocada impressão de que o fundo soberano árabe participaria diretamente dos negócios.
No Brasil, o principal nome da Mubadala Capital é Oscar Fahlgren, diretor de investimentos e head. O executivo passa mais tempo nos Estados Unidos e de lá coordena economistas e lobistas em Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro. Ele é responsável por gerir um portifólio que soma 6,1 bilhões de dólares de investimentos. Só a título de comparação, o fundo de Abu Dabhi tem patrimônio de mais de 300 bilhões de dólares, 50 vezes maior que o Capital.
Não é a primeira vez que esse tipo de imprecisão ocorre. Em agosto, o Bastidor noticiou o uso do nome Mubadala em negociação que envolveu a Caixa Econômica Federal e uma empresa chamada Cactvs, que buscava um contrato de operação de microcrédito com o banco público.
Para isso, os representantes da Cactvs diziam que o fundo soberano entraria no negócio como um garantidor.
A Mubadala Capital também possui dentre seus investimentos negócios rentáveis ao emprestar capital – que depois viraram participações nos ativos – em empresas controladas por fundos de pensão no Brasil. Muitos desses fundos foram recentemente investigados por operações suspeitas pelo Ministério Público e Polícia Federal.
A reportagem procurou a Mubadala Capital, mas não teve retorno.

